“Eu tenho visto a minha filha um dia por mês. Isso é muito pouco pra mim”, lamenta o engenheiro Eduardo Calardo Lira.

“Nos primeiros anos após a separação eu não podia ficar com as crianças no final de semana”, reclama o advogado Euclides de Souza, pai de duas filhas.

Euclides e Eduardo não esperavam que ver as filhas depois do divórcio fosse tão difícil.

“Acho que existe um desequilíbrio muito grande. Porque quando há separação, não importa se é a mãe ou o pai, aquele que fica com a guarda dos filhos, ele tem a faca e o queijo na mão”, opina Euclides.

“O que ocorre na prática é que os pais acabam não tendo os mesmo direitos sobre a criança que as mães. E o Judiciário ainda está se acostumando com essa mudança social com relação à postura do homem face a seu filho”, comenta a advogada especializada em família Sandra de Mattos.

Para Sandra, os homens estão brigando cada vez mais contra o controle excessivo da mulher sobre os filhos depois da separação.

“Quando o filho fica sob a guarda materna, cabe à mãe dirigir a educação da criança. Só que o pai tem o direito de fiscalizar e tem o direito de opinar. Então, ele tem que buscar no Judiciário esse espaço”, recomenda a advogada.

Desde a separação há sete anos, Euclides - que mora no Rio - montou um apartamento em Curitiba pra ficar perto das filhas. Pelo acordo inicial, ele só tinha direito de ver as meninas a cada 15 dias. Euclides entrou na Justiça e agora também passa parte das férias e alguns feriados com as filhas.

“Não tem como você conviver com as crianças sendo apenas um mero visitante. A babá convive com a criança mais tempo que o pai”, diz Euclides.

“Eu não deixei de ser pai apesar da separação”, conta o engenheiro Eduardo Calardo Lira.

Há dois anos, Eduardo também entrou na Justiça para ter o direito de passar mais tempo com a filha. A ex-mulher só quer conceder uma visita a cada 15 dias. Enquanto a disputa corre na Justiça, Eduardo só consegue ver a filha no máximo uma vez por mês.

“Acho que a gente cria um pacto de ‘olha, não vamos nos sentir tão mal quando a gente está junto, já que a gente fica tão pouco tempo juntos...’ Acho que existe muito isso entre eu e ela ", diz Eduardo.

“Nós temos regime de convivência paterna ampla em que o pai convive com a criança. Um exemplo: duas vezes por semana e nos finais de semana alternados. Ou leva a criança ao colégio todos os dias até pra que ele possa participar”, explica a advogada.

O médico Alex Botsaris teve três filhos com três mulheres diferentes. Ele quer participar das decisões sobre o uso da pensão do filho de sete anos.

“Não existe uma forma de garantir, ou do pai ter certeza de que esse dinheiro está sendo usado em benefício da criança”, argumenta Alex.

Muitos pais não sabem, mas eles têm esse direito.

“Existe uma ação de prestação de contas em que eles podem promover até pra forçar a mãe dessa criança, que é a mera gestora do dinheiro da pensão, a prestar contas do destino do dinheiro que vem sendo dado a pensão do filho”, esclarece Sandra.

Para Willian Maia, da Associação de Pais e Mães Separados do Rio de Janeiro, é fundamental manter a cabeça fria para não perder as condições mínimas de diálogo.

“O primeiro passo é persistir, não desistir nunca, porque vale a pena. É o seu filho que está em jogo. Segundo é procurar um advogado especializado em vara da família que seja empenhado no caso, que tenha confiança no advogado e estudar muito, pesquisar, insistir”, recomenda Maia.

Alex insistiu e conseguiu um difícil acordo com a ex-mulher: conquistou a guarda do filho mais velho, quando ele tinha 15 anos.

“Ele não obedecia à mãe, batia nos irmãos, chegou até uma vez a agredir a mãe. E na presença do pai eu consegui impor respeito, ele mudou totalmente. Hoje posso dizer que ele está superbem, encontrou uma profissão”, garante Alex.

“A legislação brasileira ainda está se modernizando. Existe um projeto de lei em trâmite no Congresso para regulamentar a guarda compartilhada. Já melhorou muito. Os juízes já entenderam que a participação do pai é fundamental”, avalia Willian Maia.

Enquanto a lei não sai, a guarda compartilhada só pode ser feita em comum acordo, informalmente. Para Patrícia e Evandro, separados há cinco anos, a decisão aliviou o trauma do divórcio.

“Sou psicólogo, eu já estava bem por dentro desse tema da guarda compartilhada e acho ainda que é a melhor solução”, opina Evandro Luiz Silva.

“Se a guarda das crianças tivesse ficado só comigo, eu acho que eles teriam muito a perder”, concorda Patrícia Wilberto Zilli, ex-mulher de Evandro.

Gustavo e Mateus passam metade da semana com a mãe, metade com o pai.

“Acho bem legal, porque a gente pode dormir um dia com um e outro com outro”, aprova o filho Gustavo, de 8 anos. “Tenho mais amigos, a gente se diverte mais”, diz o irmão.

O filho sempre tem a ganhar quando ambos os pais se dedicam e participam da vida da criança.

Para mais informações sobre direitos de pais separados, visite www.apase.org.br

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