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UMA MANEIRA SIMPLES PARA MEDIAR

Como toda construção cientifica que aspira alcançar seu campo próprio, a aquela que se apresenta como um fato novo e há aquela em que os conhecimentos vieram de saberes provenientes de diferentes campos, ambas têm a necessidade de superar a dificuldade inicial para estabelecer seus princípios, sejam eles qualitativos e quantitativos suficientemente seguros para aceitá-los.

Para apresentar um modelo estratégico de mediação, foi necessário superar limitações que se produziam quando a prática é todavia insuficientemente para informar a teoria, cuja ausência, por sua vez, provoca o desenvolvimento de uma pratica sem leis que a governam.

Acredito que para a maioria dos mediadores que se encontram no mercado, buscaram alguma obra que fizesse referência à teoria de conflitos, assim como outras, como as modernas teorias construcionistas da comunicação, do conhecimento, do self, todas com base estritamente cientificas, apoiadas pelas teorias da informação, percepção e dos jogos e dos princípios das novas visões da negociação.

Criar e ou seguir um modelo estratégico de mediação, requer conhecimentos e apreciações desses saberes que nos levam a interagir entre a teoria e a prática.

Basicamente, a estrutura desse processo estratégico de mediação, implicaria em algumas etapas, tais como:

1 – Preliminar: todo o primeiro passo da convocação, informando estratégias acerca de quem convoca e como convocar. Inclui a entrevista prévia destinada a avaliar o caso e acordar os termos da mediação (escolha do mediador, determinação de honorários e de sua forma de pagamento, quem participara no processo e o alcance das questões a tratar nele). A entrevista prévia opera como um verdadeiro modelado do processo na medida que reúne informações básicas ao mediador, trabalhando a origem e a omissão fornecida às partes, como a primeira estruturação da tarefa. Seus objetivos são gerais e preparar o processo e predispor as partes.

2 – Encaminhamento da disputa: Inclui o estagio Propedêutico e Exploratório.O primeiro deles se propõe contextualizar e estruturar o processo, criar e estabelecer nas partes segurança e confiança tanto no processo como no mediador e na mediação como método, construindo uma aliança de trabalho e determinar o espaço para um recíproco desenvolvimento entre o mediador e as partes.Sem prejuízo da disposição do ambiente, a passagem central deste estágio é o discurso inicial do mediador, que estrategicamente aceita o conflito que trazem as partes, o legitima e redefine assim percepções. Refere-se à essência, a estruturas e as antecipações, de controle do processo assim como a ideologia da mediação. Define normas, realiza manobras na busca de dados, na definição e decomposição dos problemas e na delimitação das áreas de acordo e do desacordo. O segundo, se centra na busca de dados, na definição e decomposição dos problemas e na delimitação das áreas de acordo e de desacordo. Aqui começa o trabalho do mediador com as narrativas, que constituem uma das ferramentas centrais do modelo, assim como a pesquisa do desenvolvimento do processo.

3 – Atuação da disputa: abrange os estágios de Desconstrução do Conflito, da Reconstrução da Relação, Negocial e Decisório. A Desconstrucão do Conflito, tem por finalidade desvendar e analisar o conflito, identificar questões, posições, interesses, necessidades e valores das partes. O mediador trabalha aqui sobre a comunicação, seus conteúdos e níveis e o manejo da informação. Intensifica-se o trabalho sobre as narrativas, tanto nas analises da estrutura do discurso das partes como da intervenção no processo de contar história e no conteúdo da mesma, através da movimentação dos recursos que procuram legitimação e a alteração das pautas que se interagem, sem prejuízo de destacar a importância da escuta ativa, a leitura das mensagens a níveis verbal e corporal, a reformulação das questões, a tradução livre, o resumo e a técnica de formulação de perguntas. A Reconstrução da Relação, se propõe a redefinição de interação e contexto através da apresentação da história alternativa. O fato de não poder montar uma história alternativa nos informa que ainda não se tem trabalhado o suficiente no desenvolvimento das histórias de cada parte. A Reconstrução da Relação Negociável, se dirige em forma direta a produzir idéias e a busca de opções resolutivas, apoiando sobre os pilares da flexibilidade, a inovação e a criatividade. O modelo prevê aqui técnicas de facilitação tanto para enfrentar estilos competitivos como colaborativos.Finalmente. A Reconstrução da Relação Decisória, trata da decisão informada como pauta reguladora de acordos estáveis e duradouros.

4 – Encerramento do Processo: compreendem dois estágios e ambos incluem duas suposições: o primeiro distingue entre a necessidade de Por Limites, com as passagens de reflexões e de impasse e a suposição de acordo; ambos conectam com o último dos estágios, a do Encerramento, que também discrimina entre o Sem Acordo, com as previsões de envio ou não envio a outro sistema e o Acordo que contem previsões sobre a elaboração dos preliminares e a revisão jurídico-legal do mesmo. A etapa sugere técnicas para motivar o acordo, o qual informa que ela começa muito antes que o momento mesmo do mero encerramento por acordo ou por desacordo.

Psic. Julieta Arsênio – CRP. 08/0271
Mediadora

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