Madrasta

NÃO BASTA SER UM PAI PARA CONVIVER COM O FILHO

A avó materna de Sean Goldman falou no programa Fantástico (08/03/09) que o motivo que a leva a querer que o neto fique sob a guarda do padrasto é a irmã. de Sean, filha do segundo casamento de sua mãe com o atual padrasto. Ela acha importante que não sejam afastados. Então me tranquilizei e confirmo para ela e para todos que ainda estiverem em dúvida, que será mais importante para o menino conviver e morar com o pai biológico, já que a justiça terá que escolher um dos dois. Acredito inclusive que, se a justiça disser que o menino ficará sob a guarda do padrasto, não decidiu isso pensando na convivência dele com a irmã. Esse é um motivo pessoal da avó e motivos pessoais não são relevantes nesse momento.

Conheço vários filhos únicos e eles não carregam traumas por não terem um irmão. Muitos até gostariam de ter um irmão para dividir as alegrias e angústias, mas vivem muito bem emocionalmente. Conheço porém, muitas pessoas que por motivos diversos não conviveram com o pai. Essas sim, carregam traumas imensos e narram com tristeza a falta que essa figura fez ao longo de sua vida.

Eu sou filha única, mas tive uma irmã dos 13 aos 23 anos. Não morávamos juntas, pois ela é filha do segundo casamento do meu pai. Eu a via nas férias escolares, período que eu passava na cidade do interior, próxima à São Paulo, onde o meu pai morava. Me afastei da minha irmã quando o meu pai faleceu. Eu e a minha madrasta nos relacionávamos muito mal, passávamos temporadas desgastantes. Quando o meu pai faleceu, eu não precisava mais conviver com ela e foi uma grande alegria pra mim. Foi como ter uma carta de alforria. Perdi porém, o contato com a minha irmã, que na época tinha 10 anos. Para eu conviver com ela teria que manter a convivência com a minha madrasta, pois ela era ainda muito pequena. Tive que fazer uma escolha. Ter saúde emocional ou ter uma irmã.

Quando fazemos uma escolha para a nossa vida, para a vida de um filho, ou de um ente querido, temos que acreditar que fazemos a melhor escolha. A avó materna e padrasto de Sean Goldman certamente fazem o que acreditam ser, a melhor escolha para a vida do menino. O pai, porém, acredita que a melhor escolha seja que Sean tenha um pai presente, ainda mais que a mãe faleceu durante a disputa pela guarda. E nem vou me estender escrevendo sobre a mãe ter levado o filho embora sem seu consentimento, e tudo o que aconteceu depois, que o tornou impotente para tomar decisões.

Há alguns anos atrás, o ator Vladimir Brichta precisou lutar na justiça pela guarda de sua filha. A criança foi passar uma temporada na casa da avó materna, após o falecimento de sua mãe e a avó entrou com pedido de guarda. Não devolveu a criança. Depois do desgastante processo, ele obteve a guarda. Entendemos a dor dessa mãe que perdeu a filha, mas o pai tem o direito de criar a menina.

São vários os casos de pais que precisam reconquistar o direito à pateridade após a separação ou falecimento da mãe da criança. São muitos os pais, vítimas de mães amarguradas após a separação, que quando vão buscar a criança para passar seus dias de convivência, dão de encontro com a casa vazia. A mãe não está. Saiu, viajou, fez qualquer coisa para atrapalhar a relação do pai com o filho. São mães que descumprem na cara dura os combinados realizados diante de um juiz! Como se o fato de ser mãe lhes desse um poder acima da lei. E acreditam fazer o melhor pela criança. Falam mal do pai para a criança a ponto de ela dizer que não quer sair com o papai. Chantageiam o pai. Se ele abrir mão de alguma coisa que lhes beneficie, ou der algo que elas exigem, elas deixam o pai ver a criança. Até acusam o pai de abusar sexualmente da criança como mais uma tentative de afastamento. A justiça protege a criança na hora desse pai perigoso, até que se prove o contrário, mas e quem protege a criança dessa mãe?

As pessoas precisam se atualizar, pois muitos pais, nos dias de hoje, não querem mais ser um mero provedor financeiro. São pais que querem participar da vida de seus filhos e sofrem de verdade a perda do convívio.

Da mesma maneira que a madrasta não é sempre má, o mordomo não é sempre o assassino, o pai nem sempre é somente aquele que só fornece o espermatozóide.

Roberta Palermo

Terapeuta Familiar

www.robertapalermo.com.br
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Roberta Palermo

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SEAN GOLDMAN - A BELOVED BOY

I read an article about the struggle of Sean Goldman’s father, David Goldman in the Brazilian magazine Época (03/07/09). I concluded the text was not fair on the father’ side. It showed that the participation of the mother (Bruna Bianchi) in the life of a child is the only participation that matters. The father who has the son removed from his life should “think about the child” and simply accept the current circunstance. He should let the mother decide if the son will have a father or not, as if the son was her property.

And what if the situation were reversed? If the father decided to go away and take the child to his country of origin, would the reaction be the same? Would people think about the years of cohabitation and the emotional ties that were formed, or would everybody fight to return the child to the suffering mother?

It is a shame that people still think that a child needs only his mother, while the father is seen as just the one who supplied the sperm. The article made it clear that, as soon as the mother left the country with the child, the father should understand--for the well being of the son--that it would be better for him to catch an airplane and come weekly to Brazil to visit. Say, every two weeks.

If the father were to come to Brazil to have contact with the child, he would have had to agree with the change made by the mother and would lose, therefore, the chance to live with him, because, let’s remember, he lives in another country.

The father came quickly to Brazil after the mother died, because he was certain he could take the child home this time. It seemed obvious: the mother had died, the father was alive. He found ways to finance lawyers and travels and that was criticized also.

Would not the mother do the same thing in a similar situation? Why is it that if a mother was to move mountains to raise money then she would be doing it to fight “for her son”, but if it is the father “it is for the money”?


David is the father of the child. Whether the parents relationship didn’t worked well or the mother left the country in bad faith, it makes no difference on the father-son relationship. David still has the right to exercise his fatherhood. Moreover, after the mother’s death he has the sole right to define the child’s destiny and not the relatives or the step father.

What is the problem if the woman works out of the house and the father stays at home to take care of the child? Does a child like a father or a mother who works outside the home any less? He was an involved father, so much that he was staying with the son while the mother went to work. He was the caregiver most of the time and suddenly was separated without anybody thinking about the “socio-emotional bond” on that occasion.

There is no evidence that the father had been aggressive or dangerous.

After we have children, we do not always have the same freedom to travel as before. At least we should not have if taking a child. The mother was unhappy, she wanted to go away, but she thought only about herself and did not matter that the son would have an absent father.

I am sure that the boy has good stepfather and the maternal relatives, good caregivers. They are people whom Sean loves. The grandmother lost the daughter; she helps to take care of the grandson who has no mother. It’s is very sad. If she were separated from the grandson it would mean still greater sadness for her. But why is it not sadness for the father to be separated from his son? I am a stepmother and I know that it is quite possible to come to love a child of four years, but how is the love of the stepfather so true, and the love of the father so invalidated?

To maintain, even at a distance, a link between the child and his father, would not be important to help the child to keep the English? But they make a point of saying that the child hardly remembers of his native language, possibly in order to present one more factor that could make a change in custody more difficult.

Now it is alleged that much time has passed and the socio-emotional contact is all in Brazil. This is a low blow. It is obvious that a long time of the child’s life is in Brazil and taking him away immediately is no longer viable. However, he is 8 years old and will be very capable of adapting quickly and well to the changes as long as he is not pressured by someone who does not want him to leave. If the father receives the right to take him away, I will be totally in favour of them having the opportunity to live together in the United States to rescue the relationship and form an emotional bond. The child would come to Brazil to spend school breaks with his maternal family. After a while, if the child wishes to return and live in Brazil, fine, if the father agrees. Then they could still spend school breaks together. At least they would have the opportunity to live together, in spite of the former abrupt separation.

The child is very well in Brazil. He has a loving family, an attentive step-father, an excellent school, but none of this can be more important than a present father.

The father preferred to follow the law in order to get the son returned to his country of origin, but the years passed and now the boy has his emotional bonds in Brazil. In this case the father becomes the villain, guilty of wanting to change the life of his son. The Brazilian family members are invalidating the father. Is this good for the child? Saying that the father doesn’t work, that he was a terrible sexual partner, that he is only interested in the son’s money—is this for the good of the child?

I read in the Estado de São Paulo (03/08/09) that the father is giving up his right to the son’s inheritance. It was even necessary for him to do this. Why can’t people believe that a father might just want to be a father? Why is it that just the mother is seen as someone who fights for the child with no second intentions?

After so many years, the return of this child to his original country needs to be gradual. Should the father win the right to take him, the ideal would be for him to stay in Brazil a few months, having regular contact with the son in order to form a bond. In meanwhile the maternal relatives and stepfather should not make any opposite pressure on the children and only think of the well being of the child, and so follow the judicial decision that the child will return to the United States with his father.

If they want the father simply and naively understand that the son is already settled in Brazil, let’s see if they will also understand and accept an eventual court decision to allow David to take his son back home.

Roberta Palermo

Family Therapist

www.robertapalermo.com.br

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SEAN GOLDMAN - UM MENINO MUITO AMADO

Li a matéria da revista Época (07/03/09) sobre o menino Sean Goldman. Achei que a matéria não foi imparcial. Mostrou que a participação da mãe na vida de uma criança é a única que importa. Então, o pai que tem seu filho afastado de seu convívio, tem que simplesmente pensar na criança? Tem que deixar a mãe decidir se o filho terá pai ou não, como se o filho fosse propriedade dela?

E se fosse o contrário? Se o pai fosse embora e levasse a criança para o país de origem, será que ficaria por isso mesmo? Pensariam nos anos de convívio e laços afetivos formados, ou todos lutariam para devolver a criança para a mãe tão sofrida?

Uma pena que ainda pensem que um filho precisa apenas da mãe e o pai pode ser apenas um fornecedor de espermatozóides. A matéria deixou claro que, uma vez que a mãe foi embora do país com a criança, o pai poderia compreender, pelo bem do filho, que seria melhor ele pegar um avião e vir gentilmente ao Brasil para ver o filho. Quem sabe a cada quinze dias.

Se o pai viesse ao Brasil para conviver com o filho, estaria de acordo com a mudança feita pela mãe e perderia então, a chance de conviver com seu filho, pois vamos lembrar que ele mora em outro país. O pai veio rapidamente ao Brasil depois que a mãe morreu, pois tinha certeza de que nada o impediria de levar o filho dessa vez. Parecia óbvio, a mãe morreu, resta o pai.

Ele encontrou caminhos para ter dinheiro para custear advogados e viagens e isso foi muito criticado também. A mãe não faria o mesmo no lugar dele? Por que se uma mãe movesse montanhas para arrecadar dinheiro estaria lutando por um filho e o pai é só interesseiro? Ele é o pai da criança e independente da mãe ter ido embora do país de má fé, ou não, não faz alguma diferença. O pai teve algum direito de opinar a respeito dessa decisão?

O pai pode ter sido um péssimo marido, mas não deixa de ser o pai que esse menino tem. Qual é o problema da mulher trabalhar e o pai ficar em casa cuidando da criança? Então a criança gosta menos de um pai ou de uma mãe que trabalha fora? Ele era um pai presente, tanto é que ficava com o filho enquanto a mãe saia para trabalhar. Ele era o cuidador na maior parte do tempo e foi afastado sem ninguém pensar em vínculo sócio-afetivo naquela ocasião. Nada consta sobre o pai ser agressivo ou perigoso.

Depois que temos filhos, nem sempre temos a mesma liberdade de ir e vir de antes. Ao menos não deveríamos ter. A mãe estava infeliz, quis ir embora, mas pensou apenas nela e não se importou que o filho não teria mais um pai presente. Tenho certeza de que o padrasto e os familiares maternos são excelentes pessoas, bons cuidadores, pessoas que o Sean ama e com quem vive bem. A avó perdeu a filha, ajuda a criar a neta que não tem mãe. Tudo isso é muito triste. Se ficar longe do neto será uma tristeza maior ainda. Mas por que não é uma tristeza para o pai estar afastado do filho?

Sou madrasta e sei que é perfeitamente possível passar a amar uma criança aos 4 anos, mas por que o amor do padrasto é tão fiel e o amor do pai e tão desvalidado? Para manter, mesmo à distância, um vínculo da criança com o pai, não seria importante manter a língua inglesa? Mas fazem questão de dizer que o menino pouco se lembra da língua paterna, para ser mais um fator que poderia dificultar a mudança da guarda.

Agora alegam que muito tempo se passou e o contato sócio-afetivo está todo no Brasil. Isso é golpe baixo. Pois é óbvio que toda a vida do menino está estruturada no Brasil e levá-lo embora imediatamente não é o mais adequado. Porém, Ele tem 8 anos e será capaz de se adaptar muito bem à mudanças desde que não seja pressionado por quem não quer que ele vá embora.

Se o pai receber o direito de levá-lo embora, eu serei totalmente a favor de que eles tenham a oportunidade de viverem juntos nos Estados Unidos para resgatar a relacão e formar um vínculo afetivo. O menino viria ao Brasil passar as férias escolares com os familiares maternos. Depois de um tempo, se o filho quiser voltar a morar no Brasil, tudo bem se o pai concordar e então passariam a conviver nas férias escolares. Ao menos teriam a oportunidade de conviver, apesar da brusca separação anterior.

O menino está muito bem no Brasil. Tem uma família amorosa, um padrasto atencioso, excelente escola, mas tudo isso não pode ser mais importante do que ter um pai presente. O pai preferiu seguir o caminho da lei para ter o filho de volta ao país de origem, mas os anos se passaram e agora o menino tem seus laços afetivos no Brasil. Nesse caso o pai passa a ser o vilão, o culpado por querer mudar a vida do menino.

Os familiares brasileiros estão desvalidando o pai. E isso é bom para a criança? Dizer que o pai não trabalha, que era péssimo parceiro sexual, que só está interessado no dinheiro do filho. Isso é para o bem da criança?

Li no Estado de São Paulo (08/03/09) que o pai vai abrir mão da herança que o filho tem direito. Até isso ele precisa fazer. Por que as pessoas não podem acreditar que um pai pode querer ser pai? Por que só mãe é vista como quem realmente luta por um filho e não tem outros interesses?

Depois de tantos anos, a volta desse menino para o país de origem precisa ter uma passagem gradual. Caso o pai tenha o direito de levá-lo, o ideal seria que ele ficasse no Brasil alguns meses, convivendo diariamente com o filho para formar um vínculo, desde que ao mesmo tempo o menino não estivesse sofrendo pressão das pessoas que querem que ele fique. Certamente os famliares maternos não fariam isso. Pensariam apenas no bem estar da criança, já que seguiriam a decisão da justiça que decidiu que o menino voltaria aos Estados Unidos com o pai. Eles querem que o pai entenda que agora o filho já está no Brasil, já está acostumado. Simples assim. Vamos ver se entenderão se a justiça permitir que o pai o leve de volta.

Roberta Palermo

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NUNCA DEIXE DE SER UM PAILEGAL

Você que é um PAILEGAL já parou para pensar que se já não arrumou uma madrasta para o seu filho em breve arrumará? Você sabe o mal que pode causar para a criança se essa mulher não for boa e não o tratar bem? Já parou para pensar que ela poderá influenciá-lo a afastar-se de seu filho, a não lhe ajudar financeiramente entre outras maldades? Sabia que você pode ficar cego de amor e acreditar em tudo o que essa mulher maligna lhe disser?

Recebi vários relatos de filhos que como eu tiveram madrastas más. Essa mulheres fizeram de tudo para acabar com a vida de seus enteados e algumas tiveram o pai como cúmplice passivo dessa mulher. Escutavam o filho reclamar, mas estavam cegos e aceitavam apenas as condições impostas pela madrasta. E o pior, debochavam dos filhos e os deixavam sem esperanças de uma vida melhor.

Você, PAILEGAL, não pode escolher a sua segunda esposa e simplesmente introduzí-la dentro da sua casa expondo seus filhos. Essa mulher não pode querer mudar os hábitos da casa, os afazeres domésticos, e outras situações que são habituais. O filhos não podem ser obrigados a aceitar essa mulher apenas porque você a escolheu.

Escolha alguém que aceite o seu filho, pois ele já estava na sua vida antes dela. Planeje bem o dia de apresentá-la. Diga o quanto você está feliz desde que a conheceu e que fará de tudo para que o relacionamento de todos seja muito bom. Diga que ela tem boas intenções, que quer acertar e ser uma boa madrasta. Se você não puder sustentar financeiramente uma nova família, por ainda ser responsável por vários gastos de seu filho do primeiro casamento, preocupe-se em se casar com uma mulher já estruturada, que possa lhe ajudar nos novos gastos. Você provavelmente terá novos filhos, mas não poderá esquecer-se das suas obrigações de pai com o filho do casamento anterior. Obrigações financeiras e emocionais. Os filhos sempre precisam dos pais. Não é porque atingem a maioridade que se tornam independentes emocional e financeiramente.

O dinheiro dado a um filho não é apenas para cumprir uma obrigação em juizo. Depois que o filho cresce também precisa de dinheiro. Mesmo que trabalhe pode um dia precisar de uma ajuda extra, um socorro e isso não significa que seja um vagabundo como poderia dizer uma madrasta sem bom senso . Observe bem as atitudes de seu filho. É você quem deve avaliar a situação e não a sua segunda esposa. Normalmente escuto relatos de enteados que sofrem pois vêm a segunda família do pai melhor estruturada financeiramente. Esse pai poderia estar ajudando, mas limita-se a dizer que não pode ajudar a pagar a faculdade do filho. Esse mesmo filho porém, verá um dia o meio-irmão mais novo se formar com louvor. Tudo bem que algumas vezes a madrasta é independente financeiramente e pode suprir os gastos e supérfluos que a mãe não pode, mas a maioria das madrastas dos relatos que chegam a mim, não trabalham.

Esse pai assumiu uma nova família sem nem poder cobrir os gastos dos filhos do primeiro casamento. E também se ausenta, moral e afetivamente. Dá prioridade ao novo relacionamento e já não dá mais atenção para as problemas dos primeiros filhos.
Temos também ex-esposas que abusam. Não usam o dinheiro da pensão para os gastos com o filho e outras situações erradas. O pai também deve preocupar-se e observar se algo falta a criança por omissão da mãe e se preciso for, deve avisar aos órgãos competentes.

Quando a criança estiver em sua casa é fundamental que você seja presente. Mesmo que seja apenas um final de semana deve haver regras, limites e rotina para essa criança. Horário certo para comer, para tomar banho, para brincar ou assistir televisão. A criança deve saber se pode ou não colocar os pés no sofá, se pode andar de meia pela casa, se pode comer chocolate o dia inteiro, etc… Lembre-se que um dia o seu filho pode precisar ou querer morar em sua casa e a escolha não pode ser feita porque lá ele não precisa tomar banho. Se a rotina da sua casa for diferente da casa da mãe, não há nenhum problema. A criança aprende a seguir as diferentes regras com tranqüilidade, desde que essas sejam organizadas e impostas pelo pai.

Combine com a sua nova companheira quais são as regras adequadas a vocês e depois você deve dizê-las ao filho. Quando a madrasta disser que está na hora de tomar banho, a criança vai se lembrar que o pai assim deseja também e a obedecerá. Se a madrasta chegar com uma ordem nova provavelmente a criança não aceitará ser mandada pela madrasta e dirá que ela não é sua mãe.

Muitas vezes o pai sente-se culpado pela separação e quer compensar o filho deixando que ele faça tudo o que quiser. Uma criança que cresce sem limites encontrará muitas dificuldades na vida adulta. A criança sente-se amada e segura quando vive em um lar com limites. Sabe que se preocupam com ela. Portanto PAILEGAl, você também é responsável por educar o seu filho, não apenas a mãe.

Lembre-se: Não traga para dentro da sua casa um inimiga para os seus filhos. Você tem o direito e deve refazer a sua vida, casar-se novamente, mas não pode acabar com a vida de uma criança. Prepare o encontro, o ambiente, faça de tudo para que a harmonia familiar seja preservada. Use o bom senso, entenda a criança se essa estiver arredia, malcriada. Ela está passando por conflitos, não queria que os pais se separassem e quer menos ainda que a esperança dos pais reatarem desapareça, pois sente que isso pode acontecer com a chegada dessa mulher.

Muitas vezes o relacionamento madrasta\enteado se desgasta e acaba pela total falta de apoio e participação do pai. Boa sorte nessa empreitada!

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A MADRASTA E O DIA DAS MÃES

Mês de maio. As mães se animam e aguardam a chegada do seu dia especial: o “Dia das Mães”. E as madrastas, como aguardam esse dia? Elas querem ser lembradas e quando não ganham um presente ficam desapontadas. Alguns pais compram presente para a criança dar à mãe, mas nem sempre se lembram da madrasta. Não são todas que fazem questão, mas se fizerem, tem que revelar ao companheiro esse desejo. Essa atitude poderia partir do pai, mas ele não adivinha pensamentos e sentimentos, e não vale a pena esperar que a iniciativa parta da criança. Ela normalmente é fiel à mãe, pode ficar dividida, pois a mãe pode não gostar da idéia. Mas se a ex-esposa aceita a madrasta tudo fica mais fácil e pode até partir dela a iniciativa, autorizando a criança. Nem sempre encontramos relações bem resolvidas, então deixe essa tarefa para o pai. Use o bom senso.

Cada estrutura familiar deve adequar-se à sua realidade. Se a relação da madrasta com a criança ou com a ex-esposa não for boa a ponto da criança não poder dar o presente, o pai pode presenteá-la, valorizando sua participação, independe dos problemas que passam no dia a dia. Se a criança não for se comprometer, ficar em maus lençóis ao presentear a madrasta, o pai pode incentivá-la. Mesmo que a criança more com o pai, e a mãe esteja distante ou seja ausente, acho importante que o presente feito na escola seja dado à mãe quando houver uma oportunidade. Ou o pai, a madrasta e os educadores atentos antecipam-se aos problemas e a criança poderá fazer dois presentes na escola. Algumas vezes o pai guarda mágoas da separação e nessa hora faz questão de mostrar sua preferência pela madrasta, então fiquem atentos para que o presente da mãe e da madrasta sejam semelhantes. Essa não é a hora para o pai dar um carro novo para a madrasta, enquanto a mãe ganha uma camiseta. E por que a madrasta faz questão de ganhar um presente? Porque o presente nesse momento, representa o reconhecimento por sua dedicação. Ela não é a mãe, mas tem atitudes de mãe durante o tempo em que a criança fica com o pai. Normalmente é ela quem organiza as refeições, o quarto, os passeios, escova os dentes, entre outras tarefas.

O presente é uma demonstração de carinho, de agradecimento. É importante o pai incentivar esse vínculo, pois a madrasta faz parte da nova realidade de vida da criança. Mas se as madrastas não ganharem um presente nesse Dia das Mães, não devem ficar tristes, pois foi pensando nelas que a A.M.E. Associação das Madrastas e Enteados escolheu o primeiro domingo do mês de setembro para ser o “Dia das Madrastas”. A oficializacão da data está em fase de aprovacão em um projeto de lei, mas já é o terceiro ano que comemoramos o nosso dia. Espalhem a novidade para todos, principalmente para o seu companheiro. No dia 3 de setembro, façam um almoço especial e esperem ganhar um presente. Vamos separar as datas, afinal a papel da madrasta nas famílias atuais, é muito importante!

Roberta Palermo
Pós-graduanda em Terapia Familiar pela Escola Paulista de Medicina, autora do livro: “Madrasta-quando o homem da sua vida já tem filhos”, presidente da A.M.E. Associação das Madrastas e Enteados e Moderadora do fórum das Madrastas que está no site www.madrasta.hpg.com.br

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