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A ORIENTAÇÃO AFETIVO-SEXUAL SEGUNDO A CIÊNCIA

O preconceito também norteou a ciência no tocante homossexualidade. Quando Bruce Bagemihl, o Autor do Famoso livro Biological Exuberance - Animal Homossexuality and Natural Diversity, começou a levantar os trabalhos para escrever seu livro, encontrou enorme resistência da Academia. Alguns pesquisadores que ele contatou, simplesmente nem responderam. Entre seusachados, se surpreendeu ao descobrir que, em 1979, a Marinha americana financiou uma pesquisa sobre o comportamento das baleias orcas. Pela primeira vez, observou-se homossexualismo entre machos da espécie. Mas a conclusão não consta do relatório de pesquisa. Foi vetada pelos militares.

 

Em 1987, o biólogo americano W.J. Tennent publicou um artigo intitulado "Nota sobre a Aparente Queda dos Padrões Morais da Lepidoptera". Após descrever o homossexualismo das borboletas do Marrocos, afirmou: "Talvez seja um sinal dos tempos o fato de a literatura entomológica estar nocaminho da decadência moral e das ofensas sexuais". O cientista achou imoralidade em borboletas.

 

Com efeito, o preconceito ajudou a adiar a discussão sobre a homossexualidade humana. Pouco foi publicado até agosto 1991, quando o pesquisador norte-americano Simon LeVay, estudando as células do hipotálamo de homossexuais e heterossexuais masculinos e femininos, descobriu queelas tinham tamanhos diferentes para cada grupo. Foram realizadas, ao todo, 41 autópsias de pacientes falecidos em decorrência da AIDS, dentre mulheres, homens heterossexuais e homens homossexuais.

 

O pesquisador concluiu, que as células do hipotálamo dos homossexuais, tem um tamanho menor que as obtidas nas autópsias do hipotálamo de homens e mulheres heterossexuais. Tal descoberta remonta a uma relação direta entre orientação afetivo-sexual e a conformação celular do hipotálamo. É importante salientar que o hipotálamo é a região do cérebro responsávelpela elaboração das emoções e dos sentimentos eróticos.

 

A pesquisa, que foi publicada na revista Science, não é conclusiva como comprovação da teoria genética, pois não há com provar que as células do hipotálamo dos homossexuais estudados já eram de tamanho inferior desde o nascimento ou "diminuíram" posteriormente. Por outro lado, não se tem notícia de redução de tamanho nesses grupos celulares, e este trabalho, mesmo não sendo conclusivo, suporta a hipótese de que a homossexualidade pode ser "inata".

 

Em julho de 1993 a revista Science publicou uma pesquisa que estava sendo desenvolvida pelo instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, sob a coordenação do professor Dean Hamer.Hamer selecionou 76 homens homossexuais, e passou a estudar seus familiares paternos e maternos. O resultado do estudo mostrou que entre os familiares paternos do pesquisado havia a incidência de 2% de pessoas homossexuais, índice que crescia para 7,5% quando se tratava do lado materno.

 

Isso levantou a hipótese de que a homossexualidade estaria vinculada a um fator genético do lado materno, mais diretamente relacionado com o cromossomo X. A equipe de Hamer também selecionou, posteriormente, 40 pares de irmãos homossexuais, que não tinham características semelhantes. Dentre essas 40 duplas, 33 deles, ou seja, 82,5%, tinham a mesma seqüência de DNA de umaparte do cromossomo X da mãe. (Castro, 1994)

 

O pesquisador Richard Pillard, professor de Psiquiatria da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, desenvolveu um estudo comparando os gêmeos idênticos (univitelínicos) com os gêmeos não-idênticos (bivitelinicos). Seus resultados mostram que há maior incidência de homossexualidade entre os gêmeos idênticos que entre os não-idênicos. O resultado se confirmava mesmo no caso de gêmeos idênticos criados em famílias separadas. O estudo é interessante pois, os gêmeos idênticos são clones um do outro, tendo o mesmo material genético, sendo os não-idênticos diferentes. É um resultado que suporta a hipótese de homossexualidade genética.

 

Na Universidade de Minessota, o pesquisador Thomas Bouchard foi ainda mais longe. Bouchard e seus colegas tiveram a idéia de montar um ambicioso projeto de pesquisa a respeito das influências relativas da genética e das circunstâncias ambientais na formação da personalidade.Estudando 8000 pares de gêmeos idênticos, onde todos cresceram em famílias separadas, Bouchard encontrou respostas impressionantes.

 

Os gêmeos idênticos são resultado da divisão de um óvulo fecundado por um espermatozóide que dá origem a dois embriões. Por isso são clones. Seu material genético é idêntico. Quando separados logo após o nascimento e criados por famílias distantes, eles vão ser influenciados por fatoresambientais (inclusive os Freudianos) diferentes. Não existe melhor maneia de estudar como um mesmo estoque de genes reage a experiências distintas ao longo da vida. Se por exemplo, oito em cada dez pares de gêmeos idênticos criados separadamente são agressivos, os pesquisadores concluem que a agressividade é 80% genética.

 

Os pesquisadores partem do pressuposto de que nesses casos as semelhanças que os gêmeos apresentam nos estudos são herdadas, enquanto as diferenças são fruto da criação que receberam dos pais somada às experiências de vida. Os resultados para a homossexualidade são significativos. Bouchard encontrou um índice de 82% para tal característica, ou seja, aproximadamente 8 em cada 10 gêmeos idênticos, separados quando ainda bebês, eram amboshomossexuais.

 

Algumas dúvidas sobre a influência genética ainda permanece. "A genética nunca conta mais do que 50% da história da pessoa. Desprezar a outra metade é um erro", disse o psicólogo Roberto Plomin, da Universidade da Pensilvânia a revista Veja. "As novas estratégias de pesquisa, que reconhecem a influência de múltiplos genes e de fatores não genéticos, são mais promissoras."

 

A opinião do cientista canadense Stephen Pinker vem corroborar com a afirmação de Plomin, mas não contrapor aos resultados de Bouchard. Pinker é diretor do Centro de Neurociência Cognitiva do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (o respeitado MIT), e autor do livro Como a Mente Funciona. Em entrevista a Veja em 13/01/1999, Pinker afirmou: "A idéia de que os pais moldam a personalidade dos filhos é tão arraigada que normalmente se acredita que ela não precisa de provas. Os estudos mais recentes mostram, no entanto, que cerca de 50% das variações de personalidade têm causas genéticas. Assim, gêmeos idênticos criados separados costumam ser tãoparecidos em caráter e temperamento quanto gêmeos idênticos criados juntos.

 

E quanto aos outros 50%? A surpresa está aí: não mais do que 5% da personalidade de uma criança é determinada pelo tipo de educação que ela recebeu. Assim, outras crianças, ou "pares", são em vários aspectos mais importantes na formação de um jovem do que os pais. A influência nalinguagem é a mais evidente: as crianças utilizam o vocabulário de seus egas e amigos, não o da mamãe."

 

Um dos trabalhos mais completos sobre a natureza homossexual é o livro de Bruce Bagemihl, Biological Exuberance - Animal Homosexuality and Natural Diversity (Exuberância Biológica - Homossexualidade Animal e Diversidade Natural), publicado em 1999 nos Estados Unidos. É uma revisão bibliográfica formidável, sobre os trabalhos "esquecidos" nas gavetas de Zoólogos detodo mundo. Bagemihl analisou 450 espécies, principalmente de mamíferos e aves, todas praticantes, em maior ou menor grau, de hábitos homossexuais.

 

O livro mostra que as relações homossexuais na natureza não são confusão do instinto, aberração ou falta de fêmeas. A maioria dos animais homossexuais são assim porque são. Em alguns casos, como o dos leões, há vantagens na relação macho macho. Sendo bissexuais os leões criam os filhotes juntos,aumentando a taxa de sobrevivência de seus genes. Bagemihl também assinala que o homossexualismo animal é muito comum em quase todas as espécies de mamíferos, as vezes em até 27% dos indivíduos de uma população da mesma espécie. O livro dispensa comentários.

 

Em 1998, arqueólogos austríacos encontraram na fronteira da Áustria com a Itália, nos Alpes, um corpo congelado datando de 14000 anos atrás. Tratava-se de um guerreiro da idade da pedra, que estava perambulando pelos Alpes quando deve ter sido pego por uma nevasca e sucumbiu. Graças asbaixas temperaturas, o guerreiro, que pelas tatuagens pôde também ser identificado como chefe da tribo, foi preservado intacto. Estudos minuciosos concluíram que se tratava um homossexual, pois haviam resquícios de esperma, com características sangüíneas diferentes da sua, em seu reto. Isto remete que o homossexualismo era natural da espécie humana (assim como é aos leões)antesdo aparecimento da cultura Judaico-Cristã.

 

Talvez a descoberta mais marcante a este respeito tenha sido por acaso. Pesquisadores brasileiros, ao estudarem os genes que davam as características das antenas de Drosófilas (Drosophila melanogaster), se depararam com uma prole composta exclusivamente de homossexuais. Ao alterarem os genes das drosófilas, acidentalmente os pesquisadores alteraram um gene que influenciou as moscas a ter este comportamento. Pode parecer bobo, mas nem sempre a ciência estava buscando os resultados que encontra.

 

Este resultado é fortemente apoiador da teoria genética da homossexualidade, visto que mesmo sendo muito diferentes geneticamente dos humanos, as moscas possuem a mesma forma de transmissão de hereditariedade, o DNA.

 

Muitas pessoas se intrigam com o fato da homossexualidade Ter uma componente genética, pois a lógica "genética e reprodução" é obrigatória. Como os homossexuais passariam seus genes adiante, se eles só se relacionando com homens não é capaz de gerar filhos? Há dois fatores importantes a serem considerados: Há mais bissexuais, tanto na natureza quanto na humanidade,o que transmite os genes; e também, há a possibilidade de que os genes pulem gerações. Acreditar que a genética se resume em passagem de caracteres de pai para filho é simplificar muito esta ciência.

 

Portanto, se você é homossexual, isto não significa que seu pai também é. A característicapode depender da combinação de genes de pai e mãe, que isolados não são ativados. Porém, tudo acerca dista ainda é pura especulação, mas os indícios de que há uma forte componente genética na homossexualidade estão aí, não vê quem não quer.

 

O fato da homossexualidade ser genética não quer dizer que ela seja uma doença. O estudo com animais demonstra o quão "natural" é. Até porque se fosse uma doença não haveria perdurado até nossos tempos, e seria massacrada pela seleção natural.

 

-------http://www.geocities.com/gayjovem/homopsico.htm

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